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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
1981.....eramos JOVENS....E IDEALISTAS...COM o coração na ESTRELA...
Texto enviado por Jose Pedro Renzi - Araraquara - SP
ERAMOS jovens como os meninos e meninas na rua nas diretas-já..ou no FORA COLLOR em 1992...
nos anos de 1980,entre a convergencia socialista e as bases da igreja catolica nasceria o PARTIDO DOS TRABALHADORES EM ARARAQUARA...SP...
domingos carnesecca neto leila garatti sueli gadalupe bizão nadia honaim...entre os militantes da convergencia socialistas...
nas bases da igreja catolica; albino marisa serginho rossim...rui percio...flavio haddad...e tantos outros...
no movimento estudantil dos anos de 1970...MARCOS TEIXEIRA CORREA...
no movimento dos professores,funcionariso e gente trabalhadora como um operario do jardim america..que teria trabalhado com o LULA...
bem O LULA...veio para a cidade em 1981 na praça pedro de toledo..um comicio de domingo de manha...um espetaculo na fala e na liderança autentica de um trabalhador sindicalista e cristão!
nas bases da igreja era para PEDRINHO RENZI sai candidato a vereador mas desistiu em nome do grupo...para FLAVIO SOARES HADDAD...
na eleição municipal de 1982 COM O PROF. JOAO BOSCO FARIA PARA PREFEITO ALBINO VICE e a eleição de DOMINGOS CARNESECA com mais de 1.500 votos...flavio haddad ficou em segundo...mas nao se elegeu
nas ruas da cidade uma ESTRELA publicada com cal e tinta ...nos paralelepipedos...com a ESTRELA NO CÉU...
bem em 1998 sai do PT com lutas derrotas e vitorias...sempre votei no LULA...
semprei acreditei e acreditaria que as lutas dos trabalhadores fazem a mudança social..seja qual for o governo!
bem sai do PT...mas a ESTRELA VERMELHA...solitária e cheia da JUVENTUDE de 1981 ficará para sempre no meu CORAÇÃO!
TERRA! TRABALHO! LIBERDADE!
VIVA A DEMOCRACIA! VIVA O SOCIALISMO!
ERAMOS jovens como os meninos e meninas na rua nas diretas-já..ou no FORA COLLOR em 1992...
nos anos de 1980,entre a convergencia socialista e as bases da igreja catolica nasceria o PARTIDO DOS TRABALHADORES EM ARARAQUARA...SP...
domingos carnesecca neto leila garatti sueli gadalupe bizão nadia honaim...entre os militantes da convergencia socialistas...
nas bases da igreja catolica; albino marisa serginho rossim...rui percio...flavio haddad...e tantos outros...
no movimento estudantil dos anos de 1970...MARCOS TEIXEIRA CORREA...
no movimento dos professores,funcionariso e gente trabalhadora como um operario do jardim america..que teria trabalhado com o LULA...
bem O LULA...veio para a cidade em 1981 na praça pedro de toledo..um comicio de domingo de manha...um espetaculo na fala e na liderança autentica de um trabalhador sindicalista e cristão!
nas bases da igreja era para PEDRINHO RENZI sai candidato a vereador mas desistiu em nome do grupo...para FLAVIO SOARES HADDAD...
na eleição municipal de 1982 COM O PROF. JOAO BOSCO FARIA PARA PREFEITO ALBINO VICE e a eleição de DOMINGOS CARNESECA com mais de 1.500 votos...flavio haddad ficou em segundo...mas nao se elegeu
nas ruas da cidade uma ESTRELA publicada com cal e tinta ...nos paralelepipedos...com a ESTRELA NO CÉU...
bem em 1998 sai do PT com lutas derrotas e vitorias...sempre votei no LULA...
semprei acreditei e acreditaria que as lutas dos trabalhadores fazem a mudança social..seja qual for o governo!
bem sai do PT...mas a ESTRELA VERMELHA...solitária e cheia da JUVENTUDE de 1981 ficará para sempre no meu CORAÇÃO!
TERRA! TRABALHO! LIBERDADE!
VIVA A DEMOCRACIA! VIVA O SOCIALISMO!
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O que significa o PT?
Enviada por NATALINA ALMEIDA DE JESUS - bairro São Miguel Paulista - São Paulo - SP
O que significa o PT?
Muito mais que uma grande história de amor...Uma segunda pele
Uma marca. Ninguém ousava pedir para escolher. Não precisava perguntar, pois o "pra sempre sempre acaba" e o PTcontinua.
Outro grande amor? só o filho, que cresceu junto
Uma frase?Po lí ti ca - bem comum, solidariedade
Uma música?
"Nossa linda juventude, páginas de um livro bom..."
O futuro?
"Como Será o amanhã? Responda quem souber..."
O que significa o PT?
Muito mais que uma grande história de amor...Uma segunda pele
Uma marca. Ninguém ousava pedir para escolher. Não precisava perguntar, pois o "pra sempre sempre acaba" e o PTcontinua.
Outro grande amor? só o filho, que cresceu junto
Uma frase?Po lí ti ca - bem comum, solidariedade
Uma música?
"Nossa linda juventude, páginas de um livro bom..."
O futuro?
"Como Será o amanhã? Responda quem souber..."
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Eu tenho a Idade adulta do PT
Mensagem enviada por: Porfírio Sperandio - Bragança Paulista - SP
Eu tinha 14 anos de idade nos idos de 1984... Lula subia no palanque da Praça da Sé com a feição de quem recebia o diploma de quarta série primária... Ele parecia Tiradentes! Pra mim ele reencarnava a mesma ânsia de independência que levou o Inconfidente ao martírio.
Tiradentes novo, sindicalista, contemporâneo. Enquanto os militares caçavam a Esquerda, torturavam os diversos nomes esquecidos, Lula - o sindicalista, tomava a fama de Terrorista. Em minha casa, ele era o cara.
Enquanto minha mãe com bicos de papagaio na coluna costurava uma bandeira vermelha com a estrela do PT, de 4 metros de largura por três de comprimento, que cobriria o Volkswagen Voyage de meu irmão mais velho para a passeata, numa alusão à decolagem do partido em meio a tanta repressão daquele momento da História, eu ouvia meus irmãos maiores, melhores em Política à época, questionar a viabilidade de um governo Lula. Os Americanos que bancavam a direita fascista no Brasil, não deixariam um operário sem instrução, ganhar o poder no maior desafio da América Latina.
Eu cresci nesse Brasil sob esse ambiente de repressão, de morte e de assassinatos de pessoas que representavam o meu país frente aos poderosos Americanos. Mas era também um País de imensas possibilidades.
Com a vitória de Collor de Melo no começo da década de 90, arrumei as minhas coisas e me mudei para o país do norte, que me empurrara os enlatados durante a minha adolescência.
Fui fazer a minha lição de casa Ad hoc, onde as idéias de dominação norte americana cresciam à medida que Lula não conseguia pacificamente ganhar o poder.
Ao contrário de muitos esquecidos na luta por nossa liberdade, por nossa soberania contra os tiranos do norte, minha história teve um final feliz. Lula está no poder. Ele é o poder. Por isso acredito em sua indicação.
Dilma mais do que Lula, representa nossa soberania contra os tiranos do Norte. Dilma lutou com as mãos na massa, enquanto Lula buscava a diplomacia pacífica.
Dilma agora vai me dar esse senso de terminar o campeonato em primeiro lugar. Ela traz os pulsos firmes de uma pessoa que herda um Brasil riquíssimo, um Brasil de imensa prospecção e de um País de primeiríssimo mundo.
Eu tinha 14 anos de idade nos idos de 1984... Lula subia no palanque da Praça da Sé com a feição de quem recebia o diploma de quarta série primária... Ele parecia Tiradentes! Pra mim ele reencarnava a mesma ânsia de independência que levou o Inconfidente ao martírio.
Tiradentes novo, sindicalista, contemporâneo. Enquanto os militares caçavam a Esquerda, torturavam os diversos nomes esquecidos, Lula - o sindicalista, tomava a fama de Terrorista. Em minha casa, ele era o cara.
Enquanto minha mãe com bicos de papagaio na coluna costurava uma bandeira vermelha com a estrela do PT, de 4 metros de largura por três de comprimento, que cobriria o Volkswagen Voyage de meu irmão mais velho para a passeata, numa alusão à decolagem do partido em meio a tanta repressão daquele momento da História, eu ouvia meus irmãos maiores, melhores em Política à época, questionar a viabilidade de um governo Lula. Os Americanos que bancavam a direita fascista no Brasil, não deixariam um operário sem instrução, ganhar o poder no maior desafio da América Latina.
Eu cresci nesse Brasil sob esse ambiente de repressão, de morte e de assassinatos de pessoas que representavam o meu país frente aos poderosos Americanos. Mas era também um País de imensas possibilidades.
Com a vitória de Collor de Melo no começo da década de 90, arrumei as minhas coisas e me mudei para o país do norte, que me empurrara os enlatados durante a minha adolescência.
Fui fazer a minha lição de casa Ad hoc, onde as idéias de dominação norte americana cresciam à medida que Lula não conseguia pacificamente ganhar o poder.
Ao contrário de muitos esquecidos na luta por nossa liberdade, por nossa soberania contra os tiranos do norte, minha história teve um final feliz. Lula está no poder. Ele é o poder. Por isso acredito em sua indicação.
Dilma mais do que Lula, representa nossa soberania contra os tiranos do Norte. Dilma lutou com as mãos na massa, enquanto Lula buscava a diplomacia pacífica.
Dilma agora vai me dar esse senso de terminar o campeonato em primeiro lugar. Ela traz os pulsos firmes de uma pessoa que herda um Brasil riquíssimo, um Brasil de imensa prospecção e de um País de primeiríssimo mundo.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
História de Marinésia Decândio Freitas

O ano de 1957 marcou meu nascimento no Distrito de Ubarana, São Paulo. Durante a infância, aprendi a trabalhar na lavoura e lidar com gado no sítio em que morávamos.
Porém, em 1973, pela primeira vez sai de casa e fui morar em Aruanã-Goiás com uma tia que trabalhava com comunidades carentes. Após retornar para Ubarana continuava em busca de mudanças para poder estudar e aprender um pouco mais.
Mudei-me para São Paulo no ano de 1981. Na capital, comecei a trabalhar e estudar. Com a oportunidade de estudar no Colégio Equipe conheci pessoas que participavam da campanha de filiação ao Partido dos Trabalhadores. Logo fiz parte desse grupo que começa a construir uma outra história pelas mãos dos trabalhadores desse imenso Brasil. A mesma escola que estudei ofereceu a oportunidade ao Professor José Genuíno que havia chegado do Araguaia.
Nesse contexto, participava do movimento em defesa dos trabalhadores, dos atos públicos do ABC em 1º de maio, assim como campanhas de arrecadação de fundos para o companheiro Lula, e outros companheiros que lutavam pela justiça social.
No ano de 1983 ingressei me na categoria bancária e fiz parte da luta sindical pela conquista de direitos dos trabalhadores bancários. Nunca transferi meu domicilio eleitoral, pois era uma oportunidade de visitar minha família em Ubarana. Das conquistas realizadas em São Paulo, procurava aplicá-las também em Ubarana, como militante do PT.
De 1987 a 1990, fui morar em Londrina, participando também da campanha e do processo eleitoral. No mesmo ano retornei para Ubarana, e posteriormente para São José do Rio Preto.
Pertenci ao Diretório do PT por 13 anos. Depois, retornei para Ubarana, atuando na sede municipal. Minha base sempre foi no PT. Já contribui com muitas idéias e sugestões para o Governo do Presidente Lula e a construção de um Plano de Nação do Brasil.
“Não existe felicidade sem esforço. O esforço e a felicidade são inseparáveis” Sinto que, ao nos empenharmos com toda a sinceridade em prol do PT, nossa vida brilha de alegria, por mais dolorosa que seja a situação do momento.
Viva o PT!
Viva o Brasil!
Sublime Nação do ser humano!
Marinésia Decândio Freitas
Presidente do Diretório Municipal do
Partido dos Trabalhadores de Ubarana-SP
Porém, em 1973, pela primeira vez sai de casa e fui morar em Aruanã-Goiás com uma tia que trabalhava com comunidades carentes. Após retornar para Ubarana continuava em busca de mudanças para poder estudar e aprender um pouco mais.
Mudei-me para São Paulo no ano de 1981. Na capital, comecei a trabalhar e estudar. Com a oportunidade de estudar no Colégio Equipe conheci pessoas que participavam da campanha de filiação ao Partido dos Trabalhadores. Logo fiz parte desse grupo que começa a construir uma outra história pelas mãos dos trabalhadores desse imenso Brasil. A mesma escola que estudei ofereceu a oportunidade ao Professor José Genuíno que havia chegado do Araguaia.
Nesse contexto, participava do movimento em defesa dos trabalhadores, dos atos públicos do ABC em 1º de maio, assim como campanhas de arrecadação de fundos para o companheiro Lula, e outros companheiros que lutavam pela justiça social.
No ano de 1983 ingressei me na categoria bancária e fiz parte da luta sindical pela conquista de direitos dos trabalhadores bancários. Nunca transferi meu domicilio eleitoral, pois era uma oportunidade de visitar minha família em Ubarana. Das conquistas realizadas em São Paulo, procurava aplicá-las também em Ubarana, como militante do PT.
De 1987 a 1990, fui morar em Londrina, participando também da campanha e do processo eleitoral. No mesmo ano retornei para Ubarana, e posteriormente para São José do Rio Preto.
Pertenci ao Diretório do PT por 13 anos. Depois, retornei para Ubarana, atuando na sede municipal. Minha base sempre foi no PT. Já contribui com muitas idéias e sugestões para o Governo do Presidente Lula e a construção de um Plano de Nação do Brasil.
“Não existe felicidade sem esforço. O esforço e a felicidade são inseparáveis” Sinto que, ao nos empenharmos com toda a sinceridade em prol do PT, nossa vida brilha de alegria, por mais dolorosa que seja a situação do momento.
Viva o PT!
Viva o Brasil!
Sublime Nação do ser humano!
Marinésia Decândio Freitas
Presidente do Diretório Municipal do
Partido dos Trabalhadores de Ubarana-SP
Paulo César BRAVOS !!! Meu grande amigo guerreiro e revolucionário !!!
Gostei da idéia e como já publiquei a "história" que segue em meu próprio blog (http://optremdastreze.blogspot.com) gostaria de compartilhar com vocês um dos mais hilariantes episódios de que já participei nesta minha longa jornada de "mais" de 30 anos de militância no PT. É engraçada, porém para mim é motivo de forte comoção por se tratar de um GRANDE amigo e extraordinário companheiro que nos deixou de forma tão precoce quanto estúpida. Segue, então, sem a intenção principal de vê-la publicada mas sim registrada e compartilhada por mais e mais GENTE !!!
Enio Barroso Filho
"Era uma quarta-feira, 1 de novembro de 1989, véspera de feriado de Finados e acabávamos de perder as eleições presidenciais para o Collor naquela que foi a melhor e mais emocionante campanha da história do PT a campanha sem medo de ser feliz do Lula-Lá !!!. Estávamos todos ainda cabisbaixos e saindo de um evento do Sindicato dos Bancários e como já era muito tarde e a noite uma criança, resolvemos tomar a saideira em um boteco "chinfrim" da Av. São João cheia de tapumes por conta de uma obra de reformulação daquela região e quase na esquina com o Anhangabaú. O tal bar era o único ainda aberto e por isso lotado de funcionários dos Correios aguardando para a troca de turno.
Eu, o Cândido, o Mané e o Paulinho sentamos junto ao balcão e logo percebemos que o único banheiro do "recinto" localizado no pavimento abaixo do piso estava impraticável para qualquer tipo de uso, a agua inundava tudo chegando até no segundo degrau da longa escada de acesso, sem chances de entrada ou saída. Pedimos as cervejas e logo em seguida fiquei sozinho, o Cândido e o Mané saíram sei lá pra onde e o Paulinho sumiu. Pensei, "que diabos de companheiros de copo mais negligentes com este amigo", mas logo depois volta o Paulinho com cara de quem tinha arrumado mais uma das suas costumeiras confusões, sentou-se ao meu lado e eu perguntei de cara:
-"O que voce aprontou desta vez ?" e ele:
-"Voce viu o banheiro desta espelunca ?"
-"Vi e daí ?"
-"Daí que eu fui mijar lá na rua, ou melhor, na parede aqui do lado"
-"Sim mas e o que houve?"
-"Tinha dois PMs lá na Libero Badaró que me viram e ficaram piscando a lanterna da viatura para eu parar o "mijo", daí fiz sinal para que eles esperassem, eles insistiram e eu fiz um outro sinal, não muito educado mas aproriado às circunstâncias do meu aperto e agora os "meganhas" estão vindo aí !!!"
PMs e "petistas agitadores" mantinham ainda nessa época um certo "ódio", digamos assim, uns dos outros, eles pelas constantes situações de humilhação e "xingamentos" em que ficavam expostos naqueles tempos de manifestações estudantis ou sindicais e nós pelas "borrachadas" e bordoadas impiedosas e subsequentes de seus cassetetes. Bem, ali eles não sabiam ainda nada sobre nós e então eu avisei logo ao Paulinho:
-"Voce não abra tua a boca !!! Eu te conheço !!! Então vê se fica na tua que EU falo com eles e tudo se resolve !!!"
Os dois PMs entraram no bar, nos avistaram do outro lado do balcão mas antes começaram por conferir os documentos de todos os presentes já com as devidas mãos para a parede, na maioria "carteiros", até que chegaram a nós e foram direto no Paulinho, de modo que um dos soldados ficou de costas para mim enquanto pedia os documentos para o "meliante" mijão. O Paulo César Bravos, repórter fotográfico e na época trabalhando no Estadão, ou o "Paulinho Imprensa" compositor de vários sambas enredo para o Carnaval de São Paulo que seria ali fatalmente "identificado" como jornalista e sambista ao mesmo tempo. Digo isso porque ele preferia sempre só apresentar seus documentos de jornalista ou da Liga, já que para ele "carteira de identidade", por ser expedida pela Secretaria de Segurança Pública não era um documento confiável, era na verdade um passaparte para o "inferno", um certificado da "vida de gado" ou ainda um atestado de idiotice, e o pior é que ele adorava dizer isso para provocar todo policial que encontrava. Na certeza de encrenca e de "bate-boca" e de que logo estaria ali uma oportunidade para aqueles dois PMs fazerem alguma "merda" pensei em uma forma de desviar para mim a atenção. Me ocorreu de "deslizar" suavemente o meu cotovelo direito de baixo para cima bem no "rego" da bunda daquele policial que estava de costas, SUCESSO!!! ele se virou imediatamente para o meu lado mas parece que suas palavras "travaram" para uma possível bronca indignada ou um legitimo mas leve "protesto". Mas me digam, como poderia o PM em meio àquele silencio amplo geral e irrestrito e diante de tantas testemunhas me formular qualquer tipo de questionamento ou acusação por eu ter literalmente lhe "passado a mão na bunda" ?
Me olhou fixamente e com "fogo no zóio" anunciou para mim e para o Paulinho Imprensa uma sonora "voz de prisão" !!!. Perguntei qual o motivo, e ele:
-"Atentado ao pudor !!!"
Quando eu já ía propondo uma solução amigável apontando a eles a situação do banheiro daquele "estabelecimento" e dizendo que o meu braço "escorregou" sem querer, eis que chegam esbaforidos e alucinados o Mané ( Manoel de Almeida ) e o Cândido munidos de seus "carteiraços" e gestos próprios das autoridades e já aos berros:
-"Aqui ninguém vai prender ninguém !!! Nós somos "assessores parlamentares" da bancada do PT na Câmara Municipal e esses dois aí são nossos amigos e estão conosco, vou ligar agora mesmo para os nossos parlamentares !!!"
Hora errada para tão repentina chegada, momento errado para "carteiradas", discurso errado, no TOM errado e principalmente: PARTIDO errado !!!
É o que eu sempre digo, em 90% dos escandalos ou crimes ocorridos na esfera política deste país sempre haverá a presença, o gesto, a marca ou as digitais de algum "assessor", eles sempre são mais realistas que o próprio "rei" que os contrata, acham que foram eles os eleitos e na maioria das vezes se consideram os próprios "reis" da cocada preta, dos "palpites", das "aloprações" ou das "recheadas cuecas" deste Brasil "véi" de meu Deus. Ato contínuo o outro PM foi até o rádio e em questão de minutos pelo menos umas dez viaturas cercaram o quarteirão em apoio aos solitários indefesos e até aquele instante "apequenados" dois soldados da PM. O Capitão e comandante da guarnição recem chegado se aproximou rápido e sem dizer uma só palavra, imediatamente nos algemou, a mim e ao Paulinho. Rumamos direto para a 1ª DP que ficava na época no Palácio das Industrias do Parque D. Pedro II, fomos escoltados por todas aquelas viaturas de sirenes ligadas e barulhentas e seguidos pelo "fusquinha" do Cândido que queria ter a certeza de garantia da integridade física dispensada tanto ao "renomado" jornalista como a este então "membro do Governo Municipal". Foi uma vergonha !!! mas esta ainda não tinha acabado.
Ao chegarmos na delegacia, os PMs foram direto confabular junto ao Delegado e já começamos a ficar desconfiados de que a nossa situação não era nada boa devido a quantidade de soldados e os mais variados movimentos enérgicos que eram apontados em nossa direção por todos eles. O Delegado pediu para que nos aproximássemos e já sem as algemas eu pedi que antes de mais nada se ele poderia me ouvir no canto, ele consentiu e passei a ponderar sobre o "ridículo" daquela parafernália e movimntação toda e tudo por conta de uma simples "mijada", contei a ele da situação do banheiro e que com todos os tapumes da Av.São João somente aqueles dois PMs e mais ninguem é que poderiam ter visto o Paulinho apertado. Ele concordou comigo mas pediu que "déssemos um tempo", pois os policiais estavam irredutíveis e raivosos conosco mas que com mais calma depois os convenceria de que tudo não passou de um mal entendido e que em seguida nós seríamos liberados. Ufa !!! que alívio !!!, alívio que nada, nesse momento aparece uma outra ocorrência naquele distrito. Tratava-se de um sujeito que tinha sido preso em flagrante por ter tirado as calças e mostrado suas "partes" para molestar algumas moças em um ponto de onibus na Bela Vista. O Paulinho que até então tinha me "obedecido" e ficado calado durante todo o tempo e ainda sem saber do resultado da minha conversa com o Delegado se indignou e "mandou ver":
-"Mas o que é que é isso !!! Eu estou sendo enquadrado no mesmo artigo da lei que este tarado filho de uma puta só porque eu mijei na parede? Que "porra" de lei é essa? É isso que dá uma "constituinte" comandada por esse "frouxo" do Ulisses Guimarães e toda a sua corja do PMDB, o mesmo partido do Governador Fleury, que é o chefe do "caralho" desse delegado da mesma laia !!!"
Essas pertinentes mas "péssimas palavras" também foi a senha para atiçar o Cândido e o Mané lá no fundo para que gritassem as suas palavras de ordem:
-"Fascistas !!! Assassinos !!! Torturadores !!! Os porões desta delegacia ainda cheiram ao sangue dos mortos pela ditadura !!! Abaixo o Estado policial !!! "Milico" é imoral !!!"
Aí o delegado me chamou novamente:
-"Ou voce contém os teus "guerrilheiros terroristas" ou vão já todos os quatro "mofar" no xadrez !!!"
Chamei os meus amigos de lado para uma reunião extraordinária e para uma "questão de ordem" onde fiz a seguinte intervenção:
-"Companheiros, tentem entender por favor !!!. A hora é grave mas a "conjuntura" não nos favorece. Não dá para iniciarmos a "revolução" numa madrugada de véspera de Finados, qualquer análise simples concluirá que "revolução" iniciada com esta data, estará inexoravelmente condenada ao fracasso !!! E além de nós, os únicos representantes da classe trabalhadora aqui presentes são os soldados desse batalhão da PM e aquele tarado informal e sem carteira assinada. Voces acham que eles iriam de uma hora pra outra aderir à nossa tão nobre causa ? Ou abortamos neste instante este nosso ímpeto revolucionário ou passaremos no mínimo o feriado inteiro dentro dos malditos cárceres da repressão !!!"
Acho que fui convincente o suficiente já que nenhum dos tres solicitou qualquer aparte ou qualquer "questão de esclarecimento" mas naquela altura o delegado já havia mudado a minha tentativa de acordo e resolveu abrir o B.O. e dar início a um processo por "desacato" e "atentado ao pudor" contra o Paulinho. Depois de todos os trâmites burocráticos e os devidos "toques de piano", já era dia claro quando fomos liberados da delegacia e ao sair, o Paulinho que já estava indiciado mesmo, ainda foi interpelar o Capitão da PM, um rapaz ainda, e de porte alto e magro, com a seguinte indagação:
-"Capitão "Linguiça", desculpe mas não sei o teu nome, me tire uma dúvida, "atentado ao pudor" foi porque eu mijei na parede ou porque "passaram a mão na bunda" do teu comandado?"
O Capitão só disse o seguinte:
-"Vai pra puta que te pariu !!!"
Até agora voces não se perguntaram por que em momento algum, nenhum de nós quatro sofreu qualquer tipo de agressão ou violencia por parte desses policiais dentro ou fora da delegacia?
Por dois motivos: Primeiro porque durante toda essa história o Delegado me pareceu simpático conosco e só deu prosseguimento à ocorrência por ter sido pressionado pelos policiais militares, acho até que riu muito de tudo aquilo. Segundo que desde o início, lá no "boteco", o nosso amigo Mané tinha se apoderado da máquina fotográfica do Paulinho e dizia bem alto que estaria registrando tudo que acontecesse com fotos, apesar de ficar correndo o tempo todo pra cima e pra baixo e de um lado para outro da Av.São João. Nós só conseguíamos ver o "espoucar" dos seus flasches tanto de longe quanto por perto dos "acontecimentos", inclusive da janela do "fusquinha do Cândido. Ninguém conseguia pega-lo ou para-lo, parecia um "vagalume ninja" enlouquecido. Depois de tudo é que fomos verificar que apesar dele ter "estragado" três rolos de filmes, não conseguiu foto alguma pois não sabia nem colocar os filmes na máquina.
Foi difícil... só estando lá para ver... !!!
Passado alguns meses, embora eu tenha estado com o Paulinho várias vezes nesse período, um dia ele veio até mim feito um maluco:
-"Filho da Puta !!! Companheiro de merda é voce !!! Nem para comparecer na minha audiência com o Juíz para me servir de testemunha !!! Só o Cândido foi lá !!! O Capitão "Linguiça" e os dois PMs levaram até tres "carteiros" para testemunharem a favor deles !!! Esses "carteiros de merda" e filiados naquele sindicato "de merda" vinculado ao PCO (Partido da Causa Operária ) !!!" e eu disse:
-"Mas eu não recebi comunicado nenhum sobre essa audiência e voce também não me avisou de nada !!!" e ele:
-"Bem, no final mesmo com a tua "trairagem" voce acabou sendo decisivo no caso, pois na hora em que o Juíz pediu a minha palavra, eu disse: "Tudo começou quando esse PM aí pediu os meus documentos..." na mesma hora o advogado da PM me interrompeu e pediu ele mesmo para que o Juíz arquivasse o processo de "desacato" e consequentemente o de "atentado ao pudor" pois eles não tinham "muita certeza" de quem era o "possível mijão", o teu "cotovelo" acabou livrando a minha cara !!! Valeu !!!"
Essa é uma de tantas outras histórias com a mesma "temperatura" que vivi com o meu grande e inesquecível amigo Paulo César Bravos, o Paulinho Imprensa. Que faleceu na manhã do dia 06 / 01 / 2008 em decorrência de parada cardíaca no hospital aos 57 anos deixando a esposa Marilena Torres Bravos e tres filhas. Antes esteve internado por quase dois meses, vítima de um acidente de bicicleta em 8 de novembro. Ele acompanhava um grupo de ciclistas do qual fazia parte há algum tempo que transitavam pela Rua Borges de Figueiredo na Mooca, zona leste, quando o pneu dianteiro de sua bicicleta se prendeu na fenda de uma grade na rua. Na queda ele bateu o rosto no chão, teve deslocamento de três vértebras da coluna e outros ferimentos no rosto. Paulinho tinha perdido o movimento nas pernas.
Paulo Cesar Bravos trabalhou nos jornais Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, nas revistas Placar e Afinal, entre outras publicações. Paulinho ficou exilado durante o período da Ditadura Militar no Chile onde registrou o que pode com o seu instrumento de trabalho do Golpe Militar desferido por Pinochet contra Salvador Allende. É dele também uma das mais famosas e célebres fotos do lendário Che Guevara. Foi diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e diretor da ARFOC-SP. Além disso com o nome de Paulinho Imprensa, foi compositor de inúmeros sambas-enredo do carnaval paulistano em especial para a sua Unidos do Peruche. Foi por "intimação" do Paulinho que eu acabei fazendo parte do grupo que definiu e elaborou a oficialização do Carnaval de São Paulo no Governo Luiza Erundina, por no entender dele, ser eu o único naquele governo da sua mais inteira confiança, embora eu nada tivesse a ver com o mundo do samba. Paulinho foi o primeiro sambista a adentrar oficialmente no Sambódromo ou Polo Cultural do Anhembi quando da sua inauguração em 1991 já que era o diretor do Grupo Afro "Malungos" que fora convidado para abrir aquele Carnaval. Jamais me esquecerei da cena que vi dele cruzando a linha amarela que abre os desfiles e se ajoalhando e beijando o chão daquele que seria a partir dali o templo sagrado do Carnaval e do samba paulistano.
Tive a honra e o prazer de te-lo como um grande amigo, dos melhores que tive na minha vida e compartilhar de tantas noitadas e aventuras sempre repletas de alegria e muito humor e que hoje me traz uma enorme saudade. "
Enio Barroso Filho
Na editoria "Conte sua história", o blog 30 anos do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo é apenas meio para divulgação do material. Todo conteúdo, imagens e/ou opiniões é de responsabilidade exclusiva do autor e não expressa qualquer relação com a opinião editorial do veículo. O blog também se reserva ao direito de editar os textos, fundalmentamente, por questão de espaço ou uso de palavras ofensivas.
Enio Barroso Filho
"Era uma quarta-feira, 1 de novembro de 1989, véspera de feriado de Finados e acabávamos de perder as eleições presidenciais para o Collor naquela que foi a melhor e mais emocionante campanha da história do PT a campanha sem medo de ser feliz do Lula-Lá !!!. Estávamos todos ainda cabisbaixos e saindo de um evento do Sindicato dos Bancários e como já era muito tarde e a noite uma criança, resolvemos tomar a saideira em um boteco "chinfrim" da Av. São João cheia de tapumes por conta de uma obra de reformulação daquela região e quase na esquina com o Anhangabaú. O tal bar era o único ainda aberto e por isso lotado de funcionários dos Correios aguardando para a troca de turno.
Eu, o Cândido, o Mané e o Paulinho sentamos junto ao balcão e logo percebemos que o único banheiro do "recinto" localizado no pavimento abaixo do piso estava impraticável para qualquer tipo de uso, a agua inundava tudo chegando até no segundo degrau da longa escada de acesso, sem chances de entrada ou saída. Pedimos as cervejas e logo em seguida fiquei sozinho, o Cândido e o Mané saíram sei lá pra onde e o Paulinho sumiu. Pensei, "que diabos de companheiros de copo mais negligentes com este amigo", mas logo depois volta o Paulinho com cara de quem tinha arrumado mais uma das suas costumeiras confusões, sentou-se ao meu lado e eu perguntei de cara:
-"O que voce aprontou desta vez ?" e ele:
-"Voce viu o banheiro desta espelunca ?"
-"Vi e daí ?"
-"Daí que eu fui mijar lá na rua, ou melhor, na parede aqui do lado"
-"Sim mas e o que houve?"
-"Tinha dois PMs lá na Libero Badaró que me viram e ficaram piscando a lanterna da viatura para eu parar o "mijo", daí fiz sinal para que eles esperassem, eles insistiram e eu fiz um outro sinal, não muito educado mas aproriado às circunstâncias do meu aperto e agora os "meganhas" estão vindo aí !!!"
PMs e "petistas agitadores" mantinham ainda nessa época um certo "ódio", digamos assim, uns dos outros, eles pelas constantes situações de humilhação e "xingamentos" em que ficavam expostos naqueles tempos de manifestações estudantis ou sindicais e nós pelas "borrachadas" e bordoadas impiedosas e subsequentes de seus cassetetes. Bem, ali eles não sabiam ainda nada sobre nós e então eu avisei logo ao Paulinho:
-"Voce não abra tua a boca !!! Eu te conheço !!! Então vê se fica na tua que EU falo com eles e tudo se resolve !!!"
Os dois PMs entraram no bar, nos avistaram do outro lado do balcão mas antes começaram por conferir os documentos de todos os presentes já com as devidas mãos para a parede, na maioria "carteiros", até que chegaram a nós e foram direto no Paulinho, de modo que um dos soldados ficou de costas para mim enquanto pedia os documentos para o "meliante" mijão. O Paulo César Bravos, repórter fotográfico e na época trabalhando no Estadão, ou o "Paulinho Imprensa" compositor de vários sambas enredo para o Carnaval de São Paulo que seria ali fatalmente "identificado" como jornalista e sambista ao mesmo tempo. Digo isso porque ele preferia sempre só apresentar seus documentos de jornalista ou da Liga, já que para ele "carteira de identidade", por ser expedida pela Secretaria de Segurança Pública não era um documento confiável, era na verdade um passaparte para o "inferno", um certificado da "vida de gado" ou ainda um atestado de idiotice, e o pior é que ele adorava dizer isso para provocar todo policial que encontrava. Na certeza de encrenca e de "bate-boca" e de que logo estaria ali uma oportunidade para aqueles dois PMs fazerem alguma "merda" pensei em uma forma de desviar para mim a atenção. Me ocorreu de "deslizar" suavemente o meu cotovelo direito de baixo para cima bem no "rego" da bunda daquele policial que estava de costas, SUCESSO!!! ele se virou imediatamente para o meu lado mas parece que suas palavras "travaram" para uma possível bronca indignada ou um legitimo mas leve "protesto". Mas me digam, como poderia o PM em meio àquele silencio amplo geral e irrestrito e diante de tantas testemunhas me formular qualquer tipo de questionamento ou acusação por eu ter literalmente lhe "passado a mão na bunda" ?
Me olhou fixamente e com "fogo no zóio" anunciou para mim e para o Paulinho Imprensa uma sonora "voz de prisão" !!!. Perguntei qual o motivo, e ele:
-"Atentado ao pudor !!!"
Quando eu já ía propondo uma solução amigável apontando a eles a situação do banheiro daquele "estabelecimento" e dizendo que o meu braço "escorregou" sem querer, eis que chegam esbaforidos e alucinados o Mané ( Manoel de Almeida ) e o Cândido munidos de seus "carteiraços" e gestos próprios das autoridades e já aos berros:
-"Aqui ninguém vai prender ninguém !!! Nós somos "assessores parlamentares" da bancada do PT na Câmara Municipal e esses dois aí são nossos amigos e estão conosco, vou ligar agora mesmo para os nossos parlamentares !!!"
Hora errada para tão repentina chegada, momento errado para "carteiradas", discurso errado, no TOM errado e principalmente: PARTIDO errado !!!
É o que eu sempre digo, em 90% dos escandalos ou crimes ocorridos na esfera política deste país sempre haverá a presença, o gesto, a marca ou as digitais de algum "assessor", eles sempre são mais realistas que o próprio "rei" que os contrata, acham que foram eles os eleitos e na maioria das vezes se consideram os próprios "reis" da cocada preta, dos "palpites", das "aloprações" ou das "recheadas cuecas" deste Brasil "véi" de meu Deus. Ato contínuo o outro PM foi até o rádio e em questão de minutos pelo menos umas dez viaturas cercaram o quarteirão em apoio aos solitários indefesos e até aquele instante "apequenados" dois soldados da PM. O Capitão e comandante da guarnição recem chegado se aproximou rápido e sem dizer uma só palavra, imediatamente nos algemou, a mim e ao Paulinho. Rumamos direto para a 1ª DP que ficava na época no Palácio das Industrias do Parque D. Pedro II, fomos escoltados por todas aquelas viaturas de sirenes ligadas e barulhentas e seguidos pelo "fusquinha" do Cândido que queria ter a certeza de garantia da integridade física dispensada tanto ao "renomado" jornalista como a este então "membro do Governo Municipal". Foi uma vergonha !!! mas esta ainda não tinha acabado.
Ao chegarmos na delegacia, os PMs foram direto confabular junto ao Delegado e já começamos a ficar desconfiados de que a nossa situação não era nada boa devido a quantidade de soldados e os mais variados movimentos enérgicos que eram apontados em nossa direção por todos eles. O Delegado pediu para que nos aproximássemos e já sem as algemas eu pedi que antes de mais nada se ele poderia me ouvir no canto, ele consentiu e passei a ponderar sobre o "ridículo" daquela parafernália e movimntação toda e tudo por conta de uma simples "mijada", contei a ele da situação do banheiro e que com todos os tapumes da Av.São João somente aqueles dois PMs e mais ninguem é que poderiam ter visto o Paulinho apertado. Ele concordou comigo mas pediu que "déssemos um tempo", pois os policiais estavam irredutíveis e raivosos conosco mas que com mais calma depois os convenceria de que tudo não passou de um mal entendido e que em seguida nós seríamos liberados. Ufa !!! que alívio !!!, alívio que nada, nesse momento aparece uma outra ocorrência naquele distrito. Tratava-se de um sujeito que tinha sido preso em flagrante por ter tirado as calças e mostrado suas "partes" para molestar algumas moças em um ponto de onibus na Bela Vista. O Paulinho que até então tinha me "obedecido" e ficado calado durante todo o tempo e ainda sem saber do resultado da minha conversa com o Delegado se indignou e "mandou ver":
-"Mas o que é que é isso !!! Eu estou sendo enquadrado no mesmo artigo da lei que este tarado filho de uma puta só porque eu mijei na parede? Que "porra" de lei é essa? É isso que dá uma "constituinte" comandada por esse "frouxo" do Ulisses Guimarães e toda a sua corja do PMDB, o mesmo partido do Governador Fleury, que é o chefe do "caralho" desse delegado da mesma laia !!!"
Essas pertinentes mas "péssimas palavras" também foi a senha para atiçar o Cândido e o Mané lá no fundo para que gritassem as suas palavras de ordem:
-"Fascistas !!! Assassinos !!! Torturadores !!! Os porões desta delegacia ainda cheiram ao sangue dos mortos pela ditadura !!! Abaixo o Estado policial !!! "Milico" é imoral !!!"
Aí o delegado me chamou novamente:
-"Ou voce contém os teus "guerrilheiros terroristas" ou vão já todos os quatro "mofar" no xadrez !!!"
Chamei os meus amigos de lado para uma reunião extraordinária e para uma "questão de ordem" onde fiz a seguinte intervenção:
-"Companheiros, tentem entender por favor !!!. A hora é grave mas a "conjuntura" não nos favorece. Não dá para iniciarmos a "revolução" numa madrugada de véspera de Finados, qualquer análise simples concluirá que "revolução" iniciada com esta data, estará inexoravelmente condenada ao fracasso !!! E além de nós, os únicos representantes da classe trabalhadora aqui presentes são os soldados desse batalhão da PM e aquele tarado informal e sem carteira assinada. Voces acham que eles iriam de uma hora pra outra aderir à nossa tão nobre causa ? Ou abortamos neste instante este nosso ímpeto revolucionário ou passaremos no mínimo o feriado inteiro dentro dos malditos cárceres da repressão !!!"
Acho que fui convincente o suficiente já que nenhum dos tres solicitou qualquer aparte ou qualquer "questão de esclarecimento" mas naquela altura o delegado já havia mudado a minha tentativa de acordo e resolveu abrir o B.O. e dar início a um processo por "desacato" e "atentado ao pudor" contra o Paulinho. Depois de todos os trâmites burocráticos e os devidos "toques de piano", já era dia claro quando fomos liberados da delegacia e ao sair, o Paulinho que já estava indiciado mesmo, ainda foi interpelar o Capitão da PM, um rapaz ainda, e de porte alto e magro, com a seguinte indagação:
-"Capitão "Linguiça", desculpe mas não sei o teu nome, me tire uma dúvida, "atentado ao pudor" foi porque eu mijei na parede ou porque "passaram a mão na bunda" do teu comandado?"
O Capitão só disse o seguinte:
-"Vai pra puta que te pariu !!!"
Até agora voces não se perguntaram por que em momento algum, nenhum de nós quatro sofreu qualquer tipo de agressão ou violencia por parte desses policiais dentro ou fora da delegacia?
Por dois motivos: Primeiro porque durante toda essa história o Delegado me pareceu simpático conosco e só deu prosseguimento à ocorrência por ter sido pressionado pelos policiais militares, acho até que riu muito de tudo aquilo. Segundo que desde o início, lá no "boteco", o nosso amigo Mané tinha se apoderado da máquina fotográfica do Paulinho e dizia bem alto que estaria registrando tudo que acontecesse com fotos, apesar de ficar correndo o tempo todo pra cima e pra baixo e de um lado para outro da Av.São João. Nós só conseguíamos ver o "espoucar" dos seus flasches tanto de longe quanto por perto dos "acontecimentos", inclusive da janela do "fusquinha do Cândido. Ninguém conseguia pega-lo ou para-lo, parecia um "vagalume ninja" enlouquecido. Depois de tudo é que fomos verificar que apesar dele ter "estragado" três rolos de filmes, não conseguiu foto alguma pois não sabia nem colocar os filmes na máquina.
Foi difícil... só estando lá para ver... !!!
Passado alguns meses, embora eu tenha estado com o Paulinho várias vezes nesse período, um dia ele veio até mim feito um maluco:
-"Filho da Puta !!! Companheiro de merda é voce !!! Nem para comparecer na minha audiência com o Juíz para me servir de testemunha !!! Só o Cândido foi lá !!! O Capitão "Linguiça" e os dois PMs levaram até tres "carteiros" para testemunharem a favor deles !!! Esses "carteiros de merda" e filiados naquele sindicato "de merda" vinculado ao PCO (Partido da Causa Operária ) !!!" e eu disse:
-"Mas eu não recebi comunicado nenhum sobre essa audiência e voce também não me avisou de nada !!!" e ele:
-"Bem, no final mesmo com a tua "trairagem" voce acabou sendo decisivo no caso, pois na hora em que o Juíz pediu a minha palavra, eu disse: "Tudo começou quando esse PM aí pediu os meus documentos..." na mesma hora o advogado da PM me interrompeu e pediu ele mesmo para que o Juíz arquivasse o processo de "desacato" e consequentemente o de "atentado ao pudor" pois eles não tinham "muita certeza" de quem era o "possível mijão", o teu "cotovelo" acabou livrando a minha cara !!! Valeu !!!"
Essa é uma de tantas outras histórias com a mesma "temperatura" que vivi com o meu grande e inesquecível amigo Paulo César Bravos, o Paulinho Imprensa. Que faleceu na manhã do dia 06 / 01 / 2008 em decorrência de parada cardíaca no hospital aos 57 anos deixando a esposa Marilena Torres Bravos e tres filhas. Antes esteve internado por quase dois meses, vítima de um acidente de bicicleta em 8 de novembro. Ele acompanhava um grupo de ciclistas do qual fazia parte há algum tempo que transitavam pela Rua Borges de Figueiredo na Mooca, zona leste, quando o pneu dianteiro de sua bicicleta se prendeu na fenda de uma grade na rua. Na queda ele bateu o rosto no chão, teve deslocamento de três vértebras da coluna e outros ferimentos no rosto. Paulinho tinha perdido o movimento nas pernas.
Paulo Cesar Bravos trabalhou nos jornais Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, nas revistas Placar e Afinal, entre outras publicações. Paulinho ficou exilado durante o período da Ditadura Militar no Chile onde registrou o que pode com o seu instrumento de trabalho do Golpe Militar desferido por Pinochet contra Salvador Allende. É dele também uma das mais famosas e célebres fotos do lendário Che Guevara. Foi diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e diretor da ARFOC-SP. Além disso com o nome de Paulinho Imprensa, foi compositor de inúmeros sambas-enredo do carnaval paulistano em especial para a sua Unidos do Peruche. Foi por "intimação" do Paulinho que eu acabei fazendo parte do grupo que definiu e elaborou a oficialização do Carnaval de São Paulo no Governo Luiza Erundina, por no entender dele, ser eu o único naquele governo da sua mais inteira confiança, embora eu nada tivesse a ver com o mundo do samba. Paulinho foi o primeiro sambista a adentrar oficialmente no Sambódromo ou Polo Cultural do Anhembi quando da sua inauguração em 1991 já que era o diretor do Grupo Afro "Malungos" que fora convidado para abrir aquele Carnaval. Jamais me esquecerei da cena que vi dele cruzando a linha amarela que abre os desfiles e se ajoalhando e beijando o chão daquele que seria a partir dali o templo sagrado do Carnaval e do samba paulistano.
Tive a honra e o prazer de te-lo como um grande amigo, dos melhores que tive na minha vida e compartilhar de tantas noitadas e aventuras sempre repletas de alegria e muito humor e que hoje me traz uma enorme saudade. "
Enio Barroso Filho
Na editoria "Conte sua história", o blog 30 anos do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo é apenas meio para divulgação do material. Todo conteúdo, imagens e/ou opiniões é de responsabilidade exclusiva do autor e não expressa qualquer relação com a opinião editorial do veículo. O blog também se reserva ao direito de editar os textos, fundalmentamente, por questão de espaço ou uso de palavras ofensivas.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Um testemunho sobre momentos importantes da história do PT
*
** Eduardo Suplicy
Lembro-me de como fui convidado a participar da fundação do PT. Eu era deputado estadual eleito pelo MDB, em 1978, o quarto mais votado na Assembléia Legislativa, com 78 mil votos. Antes, como professor, escrevia artigos de economia na imprensa, sobretudo na Folha de S.Paulo. Os amigos me procuraram dizendo que era preciso que eu defendesse minhas idéias, muito lidas no parlamento. Desde então eu já interagia com os movimentos sociais, incluindo os metalúrgicos do ABC, professores, lixeiros etc. Em 1979, por decreto, o presidente Ernesto Geisel extinguiu o MDB e a Arena.
Os líderes sindicais e os intelectuais, dentre outros, que estavam formando o PT, convidaram-me para integrá-lo. Avaliei ser necessário fazer uma consulta aos meus eleitores. Não tinha como procurar a todos. Pedi, em pronunciamento na Assembléia, e por entrevistas, que todos me dissesem por carta, ou telefone " naquele tempo não havia correio eletrônico " o que achavam de filiar-me ao PT. Mais de 85% das respostas foram para que eu o fizesse. Assim, juntamente com os deputados estaduais João Batista Breda, Irma Passoni, Geraldo Siqueira, Sérgio Santos e Marco Aurélio Ribeiro, em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, filiei-me ao PT na sua fundação.
Em 1982 os companheiros do PT sugeriram que me candidatasse a deputado federal. Aceitei. Juntamente com José Genoíno, Airton Soares, Bete Mendes, Luiz Dulci, Irma Passoni, Djalma Bom e José Eudes " apenas oito " formamos uma bancada aguerrida que deu muito trabalho ao governo do presidente João Baptista Figueiredo. Eu me dedicava, principalmente, a analisar os aspectos da política econômica, apertando para valer os ministros da área como Antônio Delfim Netto. Em 1982, nossa campanha correu paralela à primeira campanha de Lula para governador de São Paulo.
O PT foi um dos partidos que mais lutou para o restabelecimento das eleições diretas para prefeitos das Capitais. A primeira eleição, depois de mais de 20 anos, foi em 1985. Fui escolhido para ser o candidato a prefeito, tendo Luíza Erundina como vice. Jânio Quadros foi eleito com 37% dos votos; Fernando Henrique teve 34%; tive 19,8%. Como a campanha havia crescido na reta final, em 1986 o PT escolheu-me novamente para candidato, dessa vez para governador. Foi um ano difícil. Orestes Quércia foi eleito, seguido de Antônio Ermírio, Paulo Maluf e eu, com 10% dos votos.
Sem mandato, voltei a ser professor em tempo integral na FGV, fazer pesquisa e escrever um livro sobre distribuição da renda e direitos à cidadania. Em 1988, quando Luíza Erundina tornou-se prefeita, o PT me convidou para ser candidato a vereador. Aceitei com entusiasmo. Carlito Maia me ajudou a montar a campanha desenhando a estrela vermelha do PT com o mote Pintou Limpeza, num jipe branco. Nele circulei pela cidade. Tive 201 mil votos. Em razão da boa votação, o PT me indicou para a presidência da Câmara Municipal. Eleito presidente, pusemos em prática o lema: a transparëncia dos atos da administração em tempo real é a melhor maneira de prevenir irregularidades.
Em 1990, tendo em conta os atos registrados na Câmara Municipal, o PT me indicou para ser candidato ao Senado. Tratava-se de um disputa difícil. Dentre os principais adversários estavam o ex-governador e ex-senador André Franco Montoro; Guilherme Afif Domingues; o jornalista Ferreira Netto, apoiado pelo presidente Fernando Collor; e o deputado João Cunha. Fui eleito com 4,2 milhões de votos, correspondendo a 30% dos votos válidos.
Foi um salto para o PT que, naquelas eleições, elevou o número de deputados federais para 35, de deputados estaduais para 81 e, pela primeira vez, elegeu um senador. Maisuma vez, Carlito Maia, um companheiro irmão, ajudou-me lançando o lema: É do ar do Suplicy que o Senado precisa. Houve momentos pitorescos que poucos conhecem.
Certo dia, a direção nacional resolveu reunir todos os candidatos ao Senado em Belo Horizonte, para trocarmos idéias sobre a campanha. Patrus Ananias, o candidato por Minas Gerais, fez um discurso comovente dizendo que deveríamos conclamar a todos para observarmos as nascentes dos rios e para nos empenharmos, cada vez mais, para que suas águas fossem sempre limpas ao longo de toda sua extensão. Gostei tanto da idéia que voltei para São Paulo e levei minha equipe de TV para o município de Saleisópolis, onde nasce o Tietê. Às cinco horas da manhã, de calção de banho, fui gravar em baixo da cachoeira, logo na nascente, tentando transmitir a mensagem da importância da preservação de nossos rios. Na primeira tentativa o choque com a água fria foi de tal ordem que fiquei duro e a voz sumiu. Mas na segunda tentativa consegui gravar. Achei que ficou bom. Entretanto, quando a equipe responsável pelo programa viu a cena, vetou. Ferreira Netto subia nas pesquisas, já tinha ultrapassado Franco Montoro, e não se poderia arriscar. Fui eleito sem aquela ousada cena, inspirada no hoje ministro Patrus.
Dentre os momentos de grande importância vividos no Senado, um marcante ocorreu no primeiro semestre de 1992. Em 27 de abril, a revista Veja publicou uma entrevista de Pedro Collor de Mello na qual relatava, em detalhes, o tráfico de influências que o ex-tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias, exercia no governo. Isso incluía a obtenção de recursos, em conluio com o presidente, relacionados às decisões de governo. Ao ler a reportagem, fiquei tão impressionado que liguei para o deputado federal José Dirceu, propondo que fôssemos procurar o irmão do presidente. Pedro Collor de Mello nos recebeu, por cinco horas, no Hotel Maksoud, em São Paulo, onde estava hospedado.
As evidências e sua convicção eram de tal ordem que não tivemos dúvidas. Fomos para minha casa e escrevemos, juntos, um requerimento solicitando a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar aquelas denúncias. Ao iniciar a semana, fomos ao gabinete da liderança do PMDB, no Senado, onde o líder Humberto Lucena reuniu as demais lideranças. Resolvemos fazer um pequeno ajuste na redação do requerimento evitando citar o nome do presidente. Concordamos que o mais importante era averiguar as atividades do Sr. Paulo César Farias, denunciadas pelo Sr. Pedro Collor de Mello. Rapidamente obtivemos o número de assinaturas suficientes " segundo o regimento, mais de um terço " para a constituição da CPI mista. O requerimento com as assinaturas foi oficializado em 27 de maio de 1992.
Apesar de autor do requerimento, como o PT possuía apenas um senador o Regimento Interno do Senado me impedia e integrar a CPI. Entretanto, o líder Humberto Lucena indicou-me para suplente numa das vagas do PMDB, em reconhecimento a autoria da proposição. O deputado Benito Gama (PFL) foi o presidente e o senador Amir Lando (PMDB), relator. O desvendar dos fatos teve enorme repercussão no País, desencadeando um grande movimento social pelas ruas e praças do Brasil, Pela Ética na Política. No processo de impeachment, o relator foi o senador Antônio Mariz.
Assim como em 1983 e 1984, o PT, um dos primeiros responsáveis pela extraordinária campanha das Diretas Já, também no processo de impeachment foi um dos partidos mais atuantes. Lula foi sempre um dos principais oradores da campanha pelo julgamento do presidente por falta de decoro, o qual culminou com a cassação dos direitos políticos de Collor por oito anos, apesar de sua renúncia.
* Este artigo foi extraído do portal do Senado
** Eduardo Suplicy é senador da República pelo PT-SP
** Eduardo Suplicy
Lembro-me de como fui convidado a participar da fundação do PT. Eu era deputado estadual eleito pelo MDB, em 1978, o quarto mais votado na Assembléia Legislativa, com 78 mil votos. Antes, como professor, escrevia artigos de economia na imprensa, sobretudo na Folha de S.Paulo. Os amigos me procuraram dizendo que era preciso que eu defendesse minhas idéias, muito lidas no parlamento. Desde então eu já interagia com os movimentos sociais, incluindo os metalúrgicos do ABC, professores, lixeiros etc. Em 1979, por decreto, o presidente Ernesto Geisel extinguiu o MDB e a Arena.
Os líderes sindicais e os intelectuais, dentre outros, que estavam formando o PT, convidaram-me para integrá-lo. Avaliei ser necessário fazer uma consulta aos meus eleitores. Não tinha como procurar a todos. Pedi, em pronunciamento na Assembléia, e por entrevistas, que todos me dissesem por carta, ou telefone " naquele tempo não havia correio eletrônico " o que achavam de filiar-me ao PT. Mais de 85% das respostas foram para que eu o fizesse. Assim, juntamente com os deputados estaduais João Batista Breda, Irma Passoni, Geraldo Siqueira, Sérgio Santos e Marco Aurélio Ribeiro, em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, filiei-me ao PT na sua fundação.
Em 1982 os companheiros do PT sugeriram que me candidatasse a deputado federal. Aceitei. Juntamente com José Genoíno, Airton Soares, Bete Mendes, Luiz Dulci, Irma Passoni, Djalma Bom e José Eudes " apenas oito " formamos uma bancada aguerrida que deu muito trabalho ao governo do presidente João Baptista Figueiredo. Eu me dedicava, principalmente, a analisar os aspectos da política econômica, apertando para valer os ministros da área como Antônio Delfim Netto. Em 1982, nossa campanha correu paralela à primeira campanha de Lula para governador de São Paulo.
O PT foi um dos partidos que mais lutou para o restabelecimento das eleições diretas para prefeitos das Capitais. A primeira eleição, depois de mais de 20 anos, foi em 1985. Fui escolhido para ser o candidato a prefeito, tendo Luíza Erundina como vice. Jânio Quadros foi eleito com 37% dos votos; Fernando Henrique teve 34%; tive 19,8%. Como a campanha havia crescido na reta final, em 1986 o PT escolheu-me novamente para candidato, dessa vez para governador. Foi um ano difícil. Orestes Quércia foi eleito, seguido de Antônio Ermírio, Paulo Maluf e eu, com 10% dos votos.
Sem mandato, voltei a ser professor em tempo integral na FGV, fazer pesquisa e escrever um livro sobre distribuição da renda e direitos à cidadania. Em 1988, quando Luíza Erundina tornou-se prefeita, o PT me convidou para ser candidato a vereador. Aceitei com entusiasmo. Carlito Maia me ajudou a montar a campanha desenhando a estrela vermelha do PT com o mote Pintou Limpeza, num jipe branco. Nele circulei pela cidade. Tive 201 mil votos. Em razão da boa votação, o PT me indicou para a presidência da Câmara Municipal. Eleito presidente, pusemos em prática o lema: a transparëncia dos atos da administração em tempo real é a melhor maneira de prevenir irregularidades.
Em 1990, tendo em conta os atos registrados na Câmara Municipal, o PT me indicou para ser candidato ao Senado. Tratava-se de um disputa difícil. Dentre os principais adversários estavam o ex-governador e ex-senador André Franco Montoro; Guilherme Afif Domingues; o jornalista Ferreira Netto, apoiado pelo presidente Fernando Collor; e o deputado João Cunha. Fui eleito com 4,2 milhões de votos, correspondendo a 30% dos votos válidos.
Foi um salto para o PT que, naquelas eleições, elevou o número de deputados federais para 35, de deputados estaduais para 81 e, pela primeira vez, elegeu um senador. Maisuma vez, Carlito Maia, um companheiro irmão, ajudou-me lançando o lema: É do ar do Suplicy que o Senado precisa. Houve momentos pitorescos que poucos conhecem.
Certo dia, a direção nacional resolveu reunir todos os candidatos ao Senado em Belo Horizonte, para trocarmos idéias sobre a campanha. Patrus Ananias, o candidato por Minas Gerais, fez um discurso comovente dizendo que deveríamos conclamar a todos para observarmos as nascentes dos rios e para nos empenharmos, cada vez mais, para que suas águas fossem sempre limpas ao longo de toda sua extensão. Gostei tanto da idéia que voltei para São Paulo e levei minha equipe de TV para o município de Saleisópolis, onde nasce o Tietê. Às cinco horas da manhã, de calção de banho, fui gravar em baixo da cachoeira, logo na nascente, tentando transmitir a mensagem da importância da preservação de nossos rios. Na primeira tentativa o choque com a água fria foi de tal ordem que fiquei duro e a voz sumiu. Mas na segunda tentativa consegui gravar. Achei que ficou bom. Entretanto, quando a equipe responsável pelo programa viu a cena, vetou. Ferreira Netto subia nas pesquisas, já tinha ultrapassado Franco Montoro, e não se poderia arriscar. Fui eleito sem aquela ousada cena, inspirada no hoje ministro Patrus.
Dentre os momentos de grande importância vividos no Senado, um marcante ocorreu no primeiro semestre de 1992. Em 27 de abril, a revista Veja publicou uma entrevista de Pedro Collor de Mello na qual relatava, em detalhes, o tráfico de influências que o ex-tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias, exercia no governo. Isso incluía a obtenção de recursos, em conluio com o presidente, relacionados às decisões de governo. Ao ler a reportagem, fiquei tão impressionado que liguei para o deputado federal José Dirceu, propondo que fôssemos procurar o irmão do presidente. Pedro Collor de Mello nos recebeu, por cinco horas, no Hotel Maksoud, em São Paulo, onde estava hospedado.
As evidências e sua convicção eram de tal ordem que não tivemos dúvidas. Fomos para minha casa e escrevemos, juntos, um requerimento solicitando a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar aquelas denúncias. Ao iniciar a semana, fomos ao gabinete da liderança do PMDB, no Senado, onde o líder Humberto Lucena reuniu as demais lideranças. Resolvemos fazer um pequeno ajuste na redação do requerimento evitando citar o nome do presidente. Concordamos que o mais importante era averiguar as atividades do Sr. Paulo César Farias, denunciadas pelo Sr. Pedro Collor de Mello. Rapidamente obtivemos o número de assinaturas suficientes " segundo o regimento, mais de um terço " para a constituição da CPI mista. O requerimento com as assinaturas foi oficializado em 27 de maio de 1992.
Apesar de autor do requerimento, como o PT possuía apenas um senador o Regimento Interno do Senado me impedia e integrar a CPI. Entretanto, o líder Humberto Lucena indicou-me para suplente numa das vagas do PMDB, em reconhecimento a autoria da proposição. O deputado Benito Gama (PFL) foi o presidente e o senador Amir Lando (PMDB), relator. O desvendar dos fatos teve enorme repercussão no País, desencadeando um grande movimento social pelas ruas e praças do Brasil, Pela Ética na Política. No processo de impeachment, o relator foi o senador Antônio Mariz.
Assim como em 1983 e 1984, o PT, um dos primeiros responsáveis pela extraordinária campanha das Diretas Já, também no processo de impeachment foi um dos partidos mais atuantes. Lula foi sempre um dos principais oradores da campanha pelo julgamento do presidente por falta de decoro, o qual culminou com a cassação dos direitos políticos de Collor por oito anos, apesar de sua renúncia.
* Este artigo foi extraído do portal do Senado
** Eduardo Suplicy é senador da República pelo PT-SP
sábado, 12 de dezembro de 2009
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